Estudante do ensino médio ganhou feira de ciências com receita esquecida de nativos americanos que mata células cancerígenas

Uma estudante do ensino médio, surpreendentemente, venceu uma feira regional de ciências ao provar que o extrato de uma planta nativa americana usada há muito tempo, pode atingir e matar células cancerígenas in vitro.

Essa descoberta, ou melhor, redescoberta, pode no futuro ser um grande avanço no tratamento do câncer.

A estudante Destany “Sky” Pete, das tribos Shoshone e Paiute da Reserva Indígena Duck Valley em Idaho e Nevada, EUA, desenvolveu um interesse nas propriedades medicinais da chokeberry – ou aronia negra, que até hoje é cultivada e consumida em sua comunidade.

Em 2017, após uma conversa com um dos anciãos de sua tribo, ela decidiu utilizar a planta como tema do seu projeto de feira de ciências. Eles disseram à jovem que a razão pela qual seu povo estava ficando doente com tanta frequência era porque eles não estavam mais consumindo tanto os alimentos tradicionais.

O mais importante deles era o pudim de chokeberry. E isso inspirou Pete a estudar a planta e ver do que se tratava.

A professora de ciências de Pete, Dietlinde Dann, a conectou com um professor de bioquímica da Universidade Estadual de Boise, Dr. Ken Cornell, que trabalha com células cancerígenas de sarcoma uterino.

Para a pesquisa, juntos, eles testaram quatro espécimes diferentes de chokecherries. Combinaram com células cancerígenas de sarcoma uterino e então fez uma incubação por 24 horas.

Os resultados mostraram que o pudim de chokeberry, que inclui as sementes da fruta, tinha propriedades inibidoras do câncer. Entretanto, o suco sozinho não conseguiu matar as células cancerígenas.

“O método tradicional (Shoshone e Paiute) de preparar pudim de chokecherry inclui a semente da chokecherry, esmagada”, disse Pete. “Hoje em dia, algumas pessoas apenas espremem a fruta e retiram a semente completamente. Mas talvez a semente tenha um remédio que pode nos ajudar a ficar bem.”, afirmou.

Este é um primeiro passo importante, mas levará anos até que saibamos se essas descobertas se aplicam aos humanos. O estudo foi conduzido in vitro — ou seja, em tubos de ensaio — então suas implicações são muito limitadas.

No entanto, esta é uma visão empolgante do potencial de uma planta que está disponível abundantemente no Canadá e nos Estados Unidos.

O que são os chokeberries?

Chokeberries, também chamadas de arena berries ou aronia negra, são pequenas frutas vermelhas nativas da América do Norte. Elas têm um sabor picante e são frequentemente usadas em geleias pois contêm alto teor de pectina. Na cultura Shoshone, elas são tradicionalmente consumidas na forma de pudim.

Quais são os benefícios de chokeberries?

Estudos revelaram que extratos de chokeberry têm propriedades anti-inflamatórias e atividade antioxidante. Eles contêm altas quantidades de fitoquímicos, incluindo antocianinas e ácidos fenólicos. Fonte de vitaminas A, C e E, elas também fornecem quantidades significativas de minerais, incluindo ferro, magnésio, manganês, potássio e zinco.

O estudo de Pete não é o único que mostra os potenciais efeitos anticâncer dos chokeberries. Vários tubos de ensaio e estudos com animais descobriram que as antocianinas nos chokeberries podem interromper o crescimento de células de câncer de cólon, como também efeitos protetores contra o câncer de mama.

Embora todos esses estudos sejam promissores, os cientistas que os conduziram não querem desiludir o público. Mais pesquisas precisam ser realizadas para confirmar esses benefícios anticâncer, e como ele pode realmente ser usado como um tratamento.

Imagem de Capa: Arquivo Pessoal/ICT News/Canva





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